Adolescentes Agressivos – Como Lidar Com Eles?

16 de março de 2015

adolescenciaagressividadeEscrito por: Carlos T. Grzybowski. 

O filho estava jogando com os amigos na sala e a mãe se aproximou interessada pelo jogo e perguntou se poderia experimentar. Tentou uma vez – falhou, uma segunda – também falhou. Na terceira falha, o filho a empurrou e gritou:

“Sua burra, você não sabe de nada!”.

A mãe saiu chorando e foi para o quarto se questionar: “O que eu fiz? Por que ele é sempre tão agressivo comigo?”.

Essas são perguntas que muitas mães e pais se fazem, ao se verem impotentes, diante de adolescentes que usam da agressividade. Queremos refletir um pouco sobre esta situação.

Um dos primeiros e grandes erros dos pais, é ler e acreditar em preceitos da “psicologia popular”. São inúmeros artigos de revistas e uma série de profissionais, sem suficiente conhecimento científico, orientando pais a darem liberdade total aos filhos, enquanto são crianças, afirmando que com isso, a criança será mais criativa e menos reprimida.

Falsa ilusão. Toda criança, desde a mais tenra idade, precisa conhecer os seus limites. Limites dentro dos quais ela pode crescer e se desenvolver, em todo o seu potencial e em segurança, sentido-se amada e cuidada pelos pais – que tem exatamente esta função. Pais extremamente permissivos, que temem dizer “não” a seus filhos, sofrerão conseqüências desastrosas, quando estes filhos tornarem-se adolescentes.

O ser humano é insaciável em seus desejos e a medida do contentamento é sempre: UM POUCO MAIS! Quando a criança que nunca teve limites, expressos claramente pelos pais, chega à adolescência, seus desejos se multiplicam e muitas vezes ela passa a intimidar os pais com a violência, para que eles satisfaçam àquilo que ela deseja. Diz um ditado popular, que um desejo satisfeito gera 7 filhos e por isso, a falta de limites sempre ocasionará problemas.

Portanto pais, cuidado com estas leituras populistas que distorcem princípios da psicologia. Colocar limites, não significa espancar os filhos ou dizer sempre “não”, a qualquer solicitação deles. Significa outrossim, ensiná-los a trabalhar com os elementos da realidade e das possibilidades. Às vezes, castigá-los por violarem princípios e valores e gerarem situações que levem à patologizações da personalidade. O convívio humano, pressupõe regras e regras vem acompanhadas de limites. Pais sábios, ensinam aos filhos estes limites, para que eles se tornem adultos bem integrados ao meio social.

Um outro extremo, são os pais que tornam-se violentos com os filhos. Em geral, são pais que tem conflitos entre si ou mesmo, que tiveram uma educação conflitiva e não procuram trabalhar sua personalidade, a fim de que possam melhorar o relacionamento com os filhos.

São aqueles pais que dizem: “Meus pais fizeram assim comigo e, se foi bom pra mim, vai ser bom pro meu filho!”. Não pensando que o mundo evolui, numa velocidade espantosa e que as pautas educacionais, que eram adequadas em uma época, já não o são para a geração seguinte. Com certeza, os nossos avós nunca tiveram conflitos com os filhos, sobre o uso do computador ou da Internet, simplesmente porque não havia isto naquela época, mas hoje os pais necessitam aprender a lidar com este tema.

Finalmente existem ainda, as situações nas quais a agressividade dos filhos, é despertada pelos próprios pais. São pais que usam os filhos, numa disputa interminável com o cônjuge e acabam neurotizando o adolescente, que reage com agressão.

Estes pais, tem uma relação conflitiva entre si e procuram uma aproximação com o(a) filho(a), como uma forma de ter força para combater com o cônjuge. Desta forma, quando um dos pais permite ao filho algo, o outro proíbe e vice-versa, deixando o adolescente confuso e reagindo, muita vezes com agressividade, contra os próprios pais ou mesmo contra si mesmos.

A agressividade do adolescente contra si mesmo, pode adquirir formas sutis de expressão, como o uso de roupas, “pierces”, cortes de cabelo, tatuagens, etc. Deve-se estar atento a estas expressões, porque elas podem ocultar sentimentos negativos profundos, que podem levar a sérios desajustes de personalidade no futuro.

A melhor orientação que podemos dar aos pais, é que quando percebem a agressividade por parte dos filhos, devem ter uma atitude de aproximação e não de afastamento. Lembrar que a agressividade, é um sintoma e não o problema em si. Este, em geral, está em raízes mais profundas.

Procure ser amigo de seu filho, em primeiro lugar interessando-se pelo mundo dele. Conheça seus amigos, seus gostos musicais, o nome dos conjuntos de rock prediletos. Saiba quais atividades o agradam e quais o desagradam e porque.

Proponha então, terem atividades em conjunto. Coisas que vocês poderiam fazer juntos e que agradassem a ambos. No ano passado, eu fiz uma economia especial, somente para levar meu filho adolescente à corrida de Fórmula 1, pois ele gosta muito deste tipo de esporte. Passamos três dias juntos em São Paulo, além de assistirmos os treinos e a corrida propriamente dita. Foi um tempo inesquecível, onde pudemos conversar muito, comer sanduíches e tomar chuva juntos, rir e contar piadas, bem como falar sobre coisas sérias.

Lembro-me que no final da aventura, voltando de ônibus para o centro de São Paulo, ele, exausto, encostou a cabeça em meu ombro e adormeceu. Lembrei dos tempos que ele era bebê e que dormia em meu colo e pensei comigo: ele ainda tem a confiança de descansar em meus braços – a mesma confiança que temos que ter, com nosso Pai celestial.

Assim como Deus tem profundo interesse em nossa vida, devemos ter a mesma atitude com nossos filhos, pois o amor vence qualquer agressividade!

Carlos T. Grzybowski
Psicólogo, Terapeuta Familiar, Mestre em Psicologia do Adolescente pela UFPR,
membro do CPPC (Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos).
End. Contato: R. Paula Gomes, 850, CEP 80510 070 – Curitiba, PR,
Fone: (41) 3013-5415. E-mail: eirene@eirene.com.br. Site: www.eirene.com.br .

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