Amor Compartilhado e Sacrificial

20 de dezembro de 2017

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Não há mais dúvidas! Nossas relações pessoais foram afetadas pelas relações virtuais. Estamos conectados via smartphones, tablets e notebooks e nos distanciando do contato real. Sem a presença palpável do outro, como ter certeza do que esperar? Todas essas transformações, refletiram na linguagem do amor dos nossos dias.
AMOR E TECNOLOGIA
O celular é um dos objetos mais usados em nossos tempos e por todos. Mergulha-se na sua tela e ali encontra-se de tudo. Temos um mundo de opções nas mãos: informação, contato e diversão. Transferimos essa facilidade para os relacionamentos interpessoais, tornando-os superficiais. Enquanto se conversa com uma pessoa em um aplicativo, tem sempre mais alguém esperando em outro. Afinal, posso falar com qualquer pessoa com um simples toque na tela.
A tecnologia em si, não é um mal. Ela é uma ferramenta importante e necessária em nossos tempos. Não há como viver sem ela. Hoje estamos conectados virtualmente e há muitas vantagens nisso. O problema está em quem a usa e como faz o uso desta tecnologia. Temos a escolha de usá-la bem ou mal.
A dificuldade é que muitos passaram a resolver seus problemas de relacionamento, sem enfrentá-los na vida real. As soluções dos seus conflitos, são feitas no mundo virtual. Mandando seus recados online, iniciando, vivendo e até rompendo relações na realidade virtual. Há pessoas que fazem até sexo virtual!!!
Tivemos notícia de um casal que namorou por mais de um ano pela internet; terminaram o relacionamento e nunca se viram pessoalmente! Eram de países diferentes e ela jura que o amou profundamente! Você também deve conhecer histórias semelhantes.
Isto não quer dizer que não haja possibilidades de pessoas se conhecerem pela internet e depois chegarem a se casar! Existem histórias de amor que deram certo! Mas, em algum momento, aconteceu um encontro presencial e deram continuidade ao relacionamento, na vida real.
AMOR INDIVIDUALISTA
Uma característica de nossos tempos é que as pessoas estão mais autocentradas e mais egocêntricas. As inquietações e frustrações trouxeram um fenômeno nas relações: a “Geração Cupcake”.
Este termo, ouvi da jornalista Inês de Castro, da Rádio Band News, SP, caracterizando o individualismo presente nas relações afetivas. Cada um quer viver por si mesmo. As pessoas não querem vínculos muito profundos, porque se bastam. Dizem: “Eu mesmo celebro a minha festa”, “Eu mesmo como o meu bolo”. “Amo você, enquanto satisfaz minhas necessidades. Caso contrário, fico aqui comigo mesmo, na minha festa particular”. É o amor que se preocupa mais com sua satisfação pessoal, o seu prazer momentâneo. O outro é mais uma peça no jogo da vida.
Como construir relacionamentos sólidos e duradouros, em tempos de relações instáveis e tão individualistas?
Foi Deus quem criou as relações afetivas e deu o caminho para uma boa convivência. No meio de tantos “achismos” e conclusões sobre o assunto, devemos recorrer ao Autor e o maior exemplo de Amor: Deus que é Amor e nos amou primeiro.
AMOR COMPARTILHADO E SACRIFICIAL
Em Eclesiastes 4.9-12, temos: “É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Se um cair o outro pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se! E se dois dormirem juntos, vão manter-se aquecidos. Como, porém, manter-se aquecido sozinho? Um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se. Um cordão de três dobras não se rompe facilmente”.
Este texto nos ensina a importância dos vínculos e porque precisamos compartilhar nossa vida com outra pessoa. Temos a necessidade de:
Companhia (É melhor ter companhia do que estar sozinho),
Amparo (Se um cair o outro pode ajudá-lo a levantar-se.),
Acolhimento (E se dois dormirem juntos, vão manter-se aquecidos.),
Proteção (Um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se),
Alianças (Um cordão de três dobras não se rompe facilmente).
Portanto, como seres humanos precisamos uns dos outros.
Ao decidir obter vínculo com profundidade, são necessários: dedicação e atitude. É o que define o apóstolo Paulo, na maior declaração de amor, em 1Coríntios 13.4 -7: “o amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.
Este é o amor ágape, um amor disposto a sacrificar-se. É um exemplo do amor de Deus por nós, pois Ele nos amou primeiro – 1João 4.19: “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro”, manifestado na entrega do seu filho Jesus Cristo, que morreu na cruz por nós. Romanos 5.8 –“mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores”.
Com este amor é que Ele nos capacita a amar uns aos outros. Deus é o nosso grande professor sobre o amor ágape. Com a Sua ajuda podemos ser pacientes, bondosos, não orgulhosos, não buscar os próprios interesses, não maltratar, nem guardar rancor. Tudo suportar, sofrer, esperar e ainda crer.
Além de tudo isso, poderemos construir um relacionamento, onde se exerce o “amor compartilhado” em que há espaço para si, para o outro e ao mesmo tempo, ter um espaço em comum aos dois. Neste lugar, eles construirão seus sonhos, projetos, ideias e ideais. Sem competitividade, orgulho, inveja e interesses. Mas com incentivos, reconhecimento, partilha e perseverança. Este espaço comum, inclui também:
Ouvir o coração do outro – aprendendo dar-lhe liberdade para fazer avaliações a nosso respeito, mesmo que estas nos desagradem. O cônjuge nos ama e escolheu viver conosco – por isso não quer nos destruir, mas sim aperfeiçoar para conviver melhor. Existem coisas que não percebemos em nós. Só quem vive conosco nota e pode usar isso para nos ajudar (no caso de um amigo ou cônjuge) ou para nos prejudicar (nossos inimigos);
Ajudar quando o outro está sobrecarregado – mesmo que o cônjuge atarefado não peça! Temos que usar o “disconfiometro”, adiantando-nos na oferta de ajuda, quando vemos, por exemplo: que a esposa está com muitas tarefas e ainda tem diante de si, uma pia cheia de louça para lavar – é óbvio que ela precisa da ajuda do marido compreensível! Ou então: um marido sobrecarregado com trabalho e precisaria de ajuda para alguma área – se o outro está mais livre, por que não se oferecer para ajudar?  
Esse caminho não é o mais fácil! Vai contra a filosofia e comportamento vigente na atualidade, que valoriza muito mais o individual, o prazer rápido e momentâneo. Mas, temos em primeiro lugar o compromisso com Deus de amar o outro, como Ele nos ama. Por isso, temos que estar dispostos ao quebrantamento, ao perdão e a colocar em prática as características do amor ágape e de um amor compartilhado.
Alguém já disse: “conectar-se é para máquinas, humanos se relacionam”. O amor só será individualista, descartável, sem profundidade, se permitirmos que ele fique assim!
Identificar o que não nos permite um relacionamento com mais profundidade e lutar contra isso, é o primeiro passo. Depois, ao colocar em prática o que Deus nos orienta sobre o amor, teremos uma “luz para o caminho” de um relacionamento mais sólido, duradouro e compartilhado.
Autora: Magali A. Henriques Leoto.
Psicóloga, escritora e palestrante
Contato: smleoto@uol.com.br
www.sergioemagalileoto.com.br
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