Ampliando a visão sobre Adoração

5 de março de 2017

adoração6Aprendemos que “Louvar” e “Adorar”, tem uma amplitude muito maior do que normalmente notamos. Muito mais que um momento no culto, “Louvor e Adoração” devem ser um estilo de vida, que reflete um desejo de comunhão progressiva com Deus e nossa intenção de cultuá-lO, reconhecendo e exaltando Suas virtudes.

Vamos examinar a seguir, algumas palavras utilizadas na Bíblia e relacionadas à Adoração (bem como suas origens na língua grega), para que possamos ampliar nossa visão sobre este tema.

  1. ADORAR É RENDER-SE (do grego: “proskuneo”).

A palavra “proskuneo”, descrevia o gesto de curvar-se diante de uma pessoa e ir até o ponto de beijar os seus pés. Traduziria o ato de reconhecer a nossa insuficiência e a superioridade de Deus, colocando-nos à Sua inteira disposição. A ideia básica é a de SUBMISSÃO. Adoramos ao Senhor e nos submetemos a Ele, reconhecendo Sua grandiosidade, mas também Sua misericórdia e amor por nós.

A passagem de Jo 4:20-24, relativa à conversa de Jesus com a mulher samaritana, traz 10 vezes “proskuneo” em suas diversas formas. O Novo Testamento destaca a palavra e suas correlatas, por 58 vezes.

Um exemplo marcante de utilização deste termo: a intenção de Satanás, na tentação de Jesus (Mt 4:9 “E lhe disse: tudo isso te darei se te prostrares e me adorares”, Lc 4:7-8 “Então se me adorares, tudo será teu. Jesus respondeu: Está escrito: Adore o Senhor, o seu Deus, e só a Ele preste culto”).

O diabo queria ser adorado e apenas o gesto de Cristo se “prostrar”, seria uma vitória para ele. Jesus sabia que o gesto de culto, não podia ser desvinculado da própria adoração e responde: “Adore (proskunesis) o Senhor, o seu Deus e só a Ele preste culto”.

Só podemos nos “render”, só podemos nos “prostrar”, só podemos nos “submeter” ao Deus Criador de tudo o que há. Àquele que nos tornou Seus filhos, quando entregamos nossas vidas 100%  a Ele.

  1. ADORAR É SERVIR (do grego “latreia”)

O sentido de SERVIR aqui, implica em “cultuar e oferecer atos de adoração, que agradem a Deus”. Em Hb 12:28 lemos: “Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor”. Aqueles que aceitaram a Cristo como Senhor, receberam da Sua Graça para viver e servem a Deus, através desta mesma Graça.

Este termo é usado por Paulo em Rm 12:1, para descrever a dedicação de nossas vidas a Deus: “Rogo-vos pois irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”. Ofertar a Ele toda a nossa potencialidade, capacidade, inteligência, energia, experiência e devoção. Servir, como reconhecimento da transformação que Ele operou em nossa vida. Ele merece o melhor do nosso serviço, como forma de gratidão.

A raiz de “latreia”, pode ser reconhecida na palavra “idolatria” (serviço a um ídolo). Dr. Shedd, em seu livro “Adoração Bíblica”, diz que nosso ato de servir a Deus, requer que O sirvamos em exclusividade. “O Senhor reivindica a totalidade do “serviço” (latreia) dos seres a quem Ele dá vida. A rebelião do pecado humano, enquadra-se nesta realidade: o homem serve no sentido de adorar o que não é Deus”. (op.cit., pág. 18).

Jesus foi absolutamente claro a este respeito na tentação, respondendo a Satanás: “só a Ele darás culto” (Mt 4:10). É por isso que não podemos fazer “jogo duplo” diante de Deus. Nada de “cara de santo”, na Igreja e no dia-a-dia viver como o diabo gosta! Não podemos “servir a dois senhores” como nos diz Mt 6:24 “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar a outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas”.

  1. ADORAR É REVERENCIAR COM TEMOR SADIO (do grego “sebein”)

Algumas pessoas, querendo fugir de um “formalismo exagerado” em seu tratamento a Deus, partem para o outro extremo, desvalorizando a importância de estar diante do Todo Poderoso. Passam a agir tão vulgarmente, que ao invés de se mostrarem “mais íntimos” de Deus, tornam-se ridículos. Com o tempo, se esta postura não for corrigida, o “temor sadio”(que todos devemos cultivar pelo Senhor), dará lugar ao “desprezo de Suas ordens”.

A palavra grega “sebein” é traduzida como “reverenciar com temor”. Não é simplesmente “ter medo”, mas uma “reverente admiração com desejo de aproximar-se”. Não é um medo que faz fugir, mas sim aquele que anseia por chegar mais perto.

O Senhor é maravilhoso, amoroso, Sua misericórdia e graça nos abençoam todos os dias; mas isto não é tudo o que devemos saber sobre Deus. Temos que reconhecer não apenas a bondade de Deus, como também Sua severidade (Rm 11:22“Considerai a bondade e a severidade de Deus”). Reconhecer Sua justiça (Hb 10:31 – “Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo”). A santidade de Deus nos estimula a obedecê-lO (1Pe 1:16 – “Sede santos, porque Eu sou santo”).

Ao mesmo tempo, não quer dizer que devemos viver “aterrorizados” pela presença de Deus. Trata-se de um temor sadio, por sermos alvo do Seu amor, fazermos parte da Sua família e do Seu Reino. O Criador de todo o Universo está ao nosso lado e por isso, ficamos cheios de um reverente temor e nunca  de “terror”.

Jo 9:31 diz: “Sabemos que Deus não atende a pecadores; mas pelo contrário, se alguém teme a Deus (‘theosebes’ – palavra derivada de ‘sebein’), e pratica a sua vontade, a este atende”. Quem quer adorar ao Senhor, sempre terá a preocupação: “O que é que agrada a Deus?”. Viver como o diabo gosta, despreocupado se o Pai aceita ou não o que fazemos, não pode ser a atitude de um verdadeiro adorador.

  1. ADORAR É REALIZAR SERVIÇO SACERDOTAL (do grego: “leitourgeo”).

Tem a ver com o exercício de nossos dons espirituais, quando dedicamos nosso trabalho ao Senhor, no contexto de nossas Igrejas e comunidades.

O trabalho dos sacerdotes judeus no templo, que consistia em oferecer os sacrifícios, era considerado um “serviço de adoração”. Este trabalho foi superado, com o sacrifício de Cristo (Sumo-Sacerdote e o último Cordeiro), ao morrer em nosso lugar na cruz.

Entretanto, todo aquele que faz parte do Povo de Deus, foi designado como “sacerdote”, com a função de proclamar as virtudes do Senhor e testemunhar de Cristo por onde for (1Pe 2:9 “Vocês porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para sua maravilhosa luz”).

Paulo fazia seu serviço pastoral às igrejas, na intenção de apresentar as comunidades que fundou, como uma oferta aceitável a Deus (Rm 15:16 “de ser um ministro de Cristo Jesus para os gentios, com o dever sacerdotal de proclamar o evangelho de Deus, para que os gentios se tornem uma oferta aceitável a Deus, santificados pelo Espírito Santo”).

A obtenção de fundos para os carentes da igreja de Jerusalém, é chamada de “serviço ministerial” (leitourgia): (2Co 9:12,13 “O serviço ministerial que vocês estão realizando, não está apenas suprindo as necessidades do povo de Deus, mas também transbordando em muitas expressões de gratidão a Deus. Por meio dessa prova de serviço ministerial, outros louvarão a Deus pela obediência que acompanha a confissão que vocês fazem do evangelho de Cristo e pela generosidade de vocês em compartilhar seus bens com eles e com todos os outros”).

Os cristãos, quando servem aos irmãos, motivados pelo amor a Deus, exercem a “leitourgia” (At 13:2 “E servindo (leitourgeo) eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me agora a Barnabé e a Saulo, para a obra a que os tenho chamado”). Quem serve a Deus serve a Igreja e vice-versa.

Dr. Shedd diz que os livros de Romanos e 1Corintios, mostram que o exercício dos dons do Espírito, deve ser encarado como uma expressão de culto e adoração a Deus:

“Paulo lembra aos romanos, que a oferta de seus corpos a Deus é um ato de adoração espiritual, se contudo, esses mesmos corpos estiverem sujeitos ao Cabeça (Cristo) para servir, profetizar, ensinar, exortar, contribuir, presidir e exercer misericórdia (Rm 12:1-8). Certamente a lista pode ser estendida para incluir todo e qualquer ministério. A vida do cristão, se não se isolar da família de Deus, nem se separar do próprio Senhor, expressará adoração nas reuniões ou nas atividades do dia-a-dia.

A significação dos cultos nos quais a congregação se reunia, alcançou relevância particular na concentração de vozes louvando e ensinando juntas, com corações sedentos, aprendendo e aplicando a Palavra. Era uma ocasião apropriada para o treinamento (Ef 4:12) dos santos, para servirem a Deus dentro e fora das reuniões. Os dons de apóstolo, profeta, evangelista, pastor e mestre, cooperam e fecundam no centro do culto, para encorajar o bom ajustamento, o auxílio de toda a junta e cooperação de cada parte, o que ‘efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor’ (Ef 4:16)”. (Op. cit. pág. 91).

CONCLUSÃO:

Aumentou sua visão sobre a Adoração? Mas lembre-se que é apenas uma pequena parte deste assunto. Possivelmente, passaremos o resto de nossas vidas aprendendo e continuaremos a aprender, quando estivermos diante do Pai e dos santos anjos de Deus.

Enquanto não chegamos lá, lembre-se o que você aprendeu hoje. Adorar ao Senhor é:

  • SUBMETER-SE A ELE;
  • SERVÍ-LO COM O QUE VOCÊ TEM DE MELHOR;
  • BUSCAR VIVER COM UM TEMOR SADIO, PRÓPRIO ÀQUELES QUE AMAM AO SENHOR;
  • DEDICAR AO SENHOR O EXERCÍCIO DE SEUS DONS.

Autoria: Pr. Sergio e Magali Leoto

Fonte: “Cultivando um coração adorador”, Sergio e Magali Leoto, Ed. Z3 ideias – www.z3ideias.com.br

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