Chega de fiu…fiu… e tons de cinza! – Assédio sexual, pornografia e seus efeitos –

15 de outubro de 2015

Sedução1Há mais de 30 anos lidamos com a área de aconselhamento de casais. Magali também, como psicóloga clínica, tem realizado inúmeros atendimentos. A nossa escuta, é repleta de pessoas feridas, quebradas por dentro, com relacionamentos marcados por abusos emocionais e físicos. Apresentam-se infelizes, perdidas, mostrando que não souberam escolher entre o que é bom e certo para si, tão pouco o dar e receber afeto. Saem de um relacionamento e entram em um outro, na esperança de uma nova história de amor. Mas reproduzem a mesma cena, os mesmos erros e voltam na mesma solidão e desespero de alma.

O casal J.P. e M.L., que acompanhamos alguns anos atrás, não conseguiu suplantar suas dificuldades no relacionamento conjugal. O marido, desde sua adolescência viciou-se em pornografia. Quando era mais novo, curtia revistas com mulheres nuas que comprava na banca de jornal, mentindo sua maioridade ao comerciante. Já na sua idade adulta, a facilidade da internet alimentava o seu vício quase diariamente. Após a satisfação virtual, ainda energizado e com a mente poluída de desejos incontrolados, procurava sua esposa para momentos de prazer na cama. Ela por sua vez, admirava sua volúpia e entregava-se há alguns fetiches e atos que ele propunha, que soavam meios estranhos, para um casal cristão e de valores mais conservadores. Até certo ponto ela consentia, pois achava que servia para “esquentar a relação”.

Fora da cama o relacionamento era frio, sem cumplicidade, amizade e um diálogo sadio. As fantasias que ele exigia que realizassem, foram se complicando. Ela começou a sentir que os momentos juntos na cama não eram uma demonstração de afeto, que envolvia prazer a dois. Mas, havia uma sensação de estar sendo usada como um objeto sexual e que ela deveria estar à disposição a qualquer hora e para qualquer situação, fazendo-a  sentir dores físicas no corpo e na alma.

Foi nesse momento de desespero que M.L. buscou nossa ajuda. Após alguns encontros com o casal, o marido J.P. consentiu em ser encaminhado a um médico psiquiatra, para ser tratado do seu Transtorno Sexual, mas recusou-se a continuar o aconselhamento conjugal. Depois de lutar, por mais dois anos pela recuperação do seu casamento, M.L. foi surpreendida com o adultério de J.P. Devido a resistência em reparar o seu erro, a separação foi inevitável.

As consequências danosas da pornografia não acontecem apenas em nossos dias. Desde os tempos de Noé, Deus já não se agradou de como a raça humana se corrompeu, distanciando-se dos seus propósitos a ponto de querer começar tudo de novo. A palavra pornografia, vem do grego porneia, que quer dizer imoralidade e diz respeito a toda perversão sexual. Seu principal foco é representado por imagens de caráter imoral de publicações  em revistas, sites e  livros de fotos, gravuras, pinturas, cenas, filmes, gestos e outras linguagens. Além de movimentar bilhões de lucro na área comercial, contribui para a perversão e desvios de comportamentos sexuais que aumentam os índices de violência por abusos físicos.

A pornografia não atinge só aos homens. A revolução sexual dos anos 60, bem como o movimento feminista, fez com que a mulher reivindicasse alguns direitos. Dentre eles, obter sua satisfação sexual como os homens; algo que a cultura restringia certas práticas ao mundo masculino. A facilidade que as novas tecnologias trouxeram, além da internet, fez com que a mulher tivesse à sua disposição muito material pornográfico. Inclusive, com publicações eróticas específicas para o público feminino, como o fenômeno da série: “50 Tons de Cinza”, que arrecadou milhões de dólares com a venda dos livros e do filme.

O uso frequente de material pornográfico vicia, como qualquer outra droga. É um vício comportamental que causa uma euforia, que surge de uma química liberada na área do cérebro que dá prazer. O corpo passa a querer mais e mais desta euforia, deixa de sensibilizar-se por uma imagem e procura novas imagens mais excitantes. Apenas observar já não basta, e passa às práticas mais emocionantes, perigosas, violentas, abusivas e ilegais. É um vício que retroalimenta-se e é progressivo.

Os protagonistas do filme ou do livro “50 Tons de Cinza” demonstram a realidade de um relacionamento envolvido com perversão sexual. Ele é um indivíduo totalmente centralizador, individualista, frio, sem afeto, sua percepção é alterada. Não consegue enxergar o outro como pessoa, apenas como um objeto sexual, que ele pode manipular. Ela é a presa fácil, pois é ingênua, sem malícia, com uma autoestima fragilizada e superficial. Ambos possuem uma história de vida difícil: ele teve abuso físico e sexual na infância; ela perde o pai muito cedo e é criada pelo 2º. marido da mãe, que se casa 4 vezes; os dois experimentaram rejeição nos relacionamentos, passaram por profundas inseguranças, medos, recalques, frustrações, repressões e lares divididos. Tiveram referenciais “bastante estranhos” de sexualidade, com parâmetros equivocados ou doentios, destrutivos, vulgares e repugnantes.

Há grandes possibilidades do usuário de pornografia, tornar-se um viciado. Em algum momento de sua história de vida, pode ter passado por algum trauma ou faltou algo na construção de sua estrutura emocional. Se isto ocorreu, na adolescência, ao enfrentar as crises existenciais e os desafios naturais desta fase, a pornografia será a válvula de escape, levando a prática desenfreada da masturbação. O resultado poderá culminar numa difícil vida sexual no casamento. A vivência de uma prática sexual de forma distorcida, trará impactos negativos no futuro.

Um homem ou mulher que para saciar seu apetite sexual, alimentou-se de estímulos como a pornografia em suas múltiplas formas, na sua busca por vínculos duradouros encontrará algumas dificuldades em seus relacionamentos. Vejamos algumas:

tempos diferentes de clímax sexual – ele por estar acostumado a chegar no orgasmo rapidamente estimulado pelas imagens pornográficas e masturbação, terá dificuldade de esperar sua esposa a obter o clímax sexual. As mulheres levam mais tempo para chegar ao orgasmo.

perigo de satisfação individual – o vício sexual é egoísta, pois a facilidade de obter prazer mais rápido, coloca a mulher em segundo plano. Só a esposa não é suficiente, é necessário mais atrativos para ser mais estimulante.

distanciamento emocional – ela por não sentir-se mais valorizada como pessoa, mas como um objeto de gratificação sexual, esfria-se afetivamente. Sente-se usada, considera que ele valoriza mais os aspectos físicos do que o romantismo, diálogo e cumplicidade.

desligamento relacional – quando o relacionamento se reduz ao nível do prazer fisíco, fica incompleto. O ser humano precisa das outras dimensões: afetiva, relacional e espiritual. A intimidade é a combinação de todos estes aspectos, quando um desmorona, afeta os outros. Ao deixar de suprir e alimentar o amor, acontece a separação e o divórcio pode parecer inevitável.

O homem e mulher foram feitos a imagem de Deus. E esta união tem um mistério: “tornar-se uma só carne”, uma unidade com dois tão diferentes. Assim como Deus é uma unidade de três: Pai, Filho e Espírito. O casal, como na Trindade, deve buscar essa maravilhosa experiência de serem dois, mas ao mesmo tempo serem um: ser eu mesmo e deixar o outro ter liberdade de ser quem ele é. Por isso, o casamento é tão especial, pois representa parte do sagrado que há na Trindade. O sexo é uma expressão do sagrado, que une o casal na sua maior intimidade, que os torna um. E aqueles que são uma “uma só carne” devem se doar por inteiro, em todas as dimensões do amor: físico, romântico, amigo, leal e espiritual.

Ao buscar um relacionamento saudável, seja você homem ou mulher, não aceite nada que não seja puro, verdadeiro, honesto, de boa fama, que tenha virtude… (Fp 4.8). Chega de de fiu…fiu… de assédios sexuais, de relacionamentos que incluam acordos para satisfazer apenas os egos e egoísmos. No plano original de Deus para a raça humana, o sexo deve envolver o que temos de melhor, as nossas intenções mais puras, integras e verdadeiras. Sexo é a celebração do amor. Não existem tons de cinza, é tudo preto e branco, para desfrutarmos todas as cores do verdadeiro Amor!

(Artigo de Sergio e Magali Leoto, a pedido da Revista Cristianismo Hoje)

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