Choque de Gerações: Como conviver em Família?

5 de setembro de 2017

ChoqueGerações

Vivemos num ritmo crescente das novas tecnologias. Entre as transformações causadas por elas, existem algumas rupturas entre as gerações. As pessoas mais velhas não entendem atitudes dos jovens de hoje. Estes, por sua vez, consideram os mais velhos desconectados com a realidade do mundo atual.

Este é o dilema de nossas famílias. Estamos numa época em que várias gerações, convivem ao mesmo tempo e no mesmo ambiente. Isto acontece no meio profissional, nas universidades, nas igrejas e em casa. A maior expectativa de vida faz com que avós e pais, fiquem ativos por mais tempo. Assim, aumenta o tempo de convivência com os filhos, netos e até bisnestos. Surge assim, o conflito de gerações.

É comum o avô, cobrar do seu filho, a postura dos seus netos:
– O seu filho não vai casar, não?! Ele já está com 23 anos!! Eu nesta idade já tinha 2 filhos e meu escritório de advocacia. Ele nem namorada tem… O filho responde:
– Calma, pai… O seu neto está focado em sua carreira profissional. Ele vai fazer um curso no exterior, antes de casar. – E o seu filho de 16 anos? Nem escolheu a sua profissão! Diz que quer ir fazer um estágio no Espírito Santo, para salvar as Tartarugas Marinhas? Isso dá dinheiro??

Teríamos muitos exemplos a citar para enfatizar que há um novo cenário. As fórmulas antigas de relacionamento não funcionam mais. Definir os adolescentes como preguiçosos e alienados é muito simplista e não resolve!

Não há como ficar passivo e indiferente diante desta realidade. Em algum momento os mais velhos terão que se envolver com as tendências ou serão envolvidos por elas. Não há mais como viver num mundo sem tecnologia e internet. Desde sua conta bancaria, comprar no supermecado, estacionar o carro, comunicar-se com alguém por celular, email, Facebook, Skype e outras redes sociais, até acender um fogão, nosso cotidiano está envolvido pelo mundo virtual.

O adolescente de hoje já nasceu dentro desta realidade. É preciso conhecer e aprender a viver no mundo que seu filho vive, aliás, que vocês também pais também estão nele!

A Classificação das Gerações

A Sociologia define diversos conceitos de Geração, mas a concepção que trataremos aqui é a definição utilizada pela socióloga, *Débora C. Carvalho, que se refere “as transformações tecnológicas e a sua influência no comportamento, atribuindo um determinado perfil comum a um grupo, que os define e os diferencia. Muito utilizado pelo Marketing, Mídia, Moda e Ciências do Comportamento”. Há um tempo atrás uma geração era definida a cada 25 anos. Nos dias de hoje, uma nova geração surge a cada 10 anos. Elas dividem-se em:

  TRADICIONAIS: Anos 20, 30, 40.

  BABIES BOOMERS: Anos 50 e início dos anos 60.

  GERAÇÃO X: Anos 70 e início do anos 80.

  GERAÇÃO Y: Fim dos anos 80 e início dos anos 90.

  GERAÇÃO Z: Anos 2000.
  GERAÇÃO ALFA – 2010 ??

**Alguns estudiosos, por terminar o alfabeto, defendem a ideia de iniciar uma nova classificação pelo alfabeto grego.

Características das Gerações

OS TRADICIONAIS (anos 20, 30, 40). Enfrentaram as duas grandes Guerras Mundiais. Extremamente dedicados e leais. Sacrificam-se para alcançar seus objetivos. Admitem recompensas tardias. São práticos e formais. Adaptam-se as atividades rotineiras. Gostam de regras e burocracias. Respeitam hierarquias. Dever antes do prazer. O trabalho traz dignidade ao homem.

BABIES BOOMERS (anos 50 e início dos anos 60). Babies Boomers – são jovens nascidos na época da “Explosão de Bebes”: fenômeno ocorrido nos Estados Unidos no final da 2ª. Guerra Mundial, repetindo nas Guerras da Coréia e Vietnã, ocasião em que os soldados voltaram para suas casas e conceberam filhos em uma mesma época. No Brasil coincide com a época da Ditadura Militar, Jovem Guarda, Bossa Nova, Tropicália e Festivais. São educados com disciplina e compromisso. São mais otimistas, puderam pensar na boa educação de seus filhos. Priorizam o trabalho, são workaholics. Valorizam a ascensão profissional. Querem ser reconhecidos pela sua experiência. Buscam um emprego rentável e estável. Hoje ocupam cargos de diretoria, gerenciais, chefias nas empresas ou são do comércio. Veem o surgimento da tecnologia, por isso tem dificuldades.

GERAÇÃO X (Anos 70 e início dos anos 80). Presenciaram fatos históricos importantes e foram marcados por movimentos revolucionários. No Brasil foi o fim da Ditadura Militar e o Movimento das “Diretas Já”. Autocentrados e extremamente independentes. Orientados às ações e resultados. Comprometidos com os seus objetivos. Sua vida é dirigida a novos desafios. Tem certa resistência a inovação. Sentem-se ameaçados diante das gerações mais novas, com mais energia e idéias avançadas, principalmente a geração Y. Primeira geração a lidar com a Era da Informação.

GERAÇÃO Y (Fim dos anos 80 e início dos anos 90). Tecnologicamente superiores. Consideram-se muito especiais. Necessitam de reconhecimento periódico. Desejam crescimento rápido e contínuo em sua carreira. Necessitam constantemente de novas experiências. Fazem várias tarefas ao mesmo tempo: ouvem música, navegam na internet e falam no celular. Autônomos e individualistas. Comunicação com frases curtas e diretas. Não abrem mão de seus projetos. Preferem uma liderança por equipe, horizontal e de inclusão. Valorizam equipes mais abertas e transparentes. São impulsivos, enfrentam sem medo autoridades. São fascinados por desafios e querem fazer tudo à sua maneira. Consideram o trabalho, como fonte de prazer e aprendizado. Odeiam burocracias, controle e atividades rotineiras. Gostam de horários flexíveis e atividades mais informais. Priorizam mais sua carreira e profissão à vida afetiva.

GERAÇÃO Z (Anos 2000 em diante). Características semelhantes à “Geração Y”, mais acentuadas. Tecnologicamente mais sofisticados. Chegam a um mundo conectado, veloz e globalizado. Sem fronteiras geográficas, desapegados à raízes e aceitam mais às diferenças e minorias. Imediatistas por extremo (fast food). Narcisistas: com aparelhos de câmera frontal fotografam e filmam sua própria imagem. (SELFIES). Necessidade de auto exposição (redes sociais). Valorizam sua autoestima. Precisam ser reconhecidos. A vida sem “likes” ou “views” não faz sentido. Individualistas, mas empáticos, pois vivem em comunidades virtuais. Alienação, inércia, ansiedade, intolerância, atenção seletiva, resultados imediatos, julgamentos constantes, críticos, não perseveram e dificuldade de tomar uma atitude de mudança.

AvoSUPERANDO A CRISE

O fato das gerações conviverem num mesmo ambiente pode contribuir para amenizar a distância entre elas e as dificuldades que cada uma possui.

As novas gerações possuem muita informação, mas pouca profundidade. Precisam adquirir outro tipo de conhecimento: o pensamento crítico-reflexivo, algo que a geração anterior pode contribuir devido a sua vivência. Os jovens, por terem fácil acesso a todo tipo de informação e domínio da tecnologia, não podem desconsiderar o conhecimento dos mais velhos.

Os mais velhos por sua vez, precisam ser humildes e aceitar a necessidade de se adaptarem à nova realidade, sendo menos resistentes e mais flexíveis ao novo e ao diferente.

Sugerimos algumas dicas para uma nova atitude nas relações familiares:

1. Troca de Experiências

Os mais velhos (pais, avós, tios, irmãos, etc) precisam dos mais jovens: de sua energia, motivação, criatividade, informalidade, flexibilidade, rapidez, sua capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo, sua visão de um mundo sem fronteiras, globalizado e do seu bom trânsito entre as minorias.

Já os mais jovens precisam dos mais velhos: de sua experiência, vivência, maturidade, conhecimento, reflexão, bom conselho, exemplo, direção, esforço e resultados comprovados.

Veja os conselhos que Paulo orienta Tito a dar aos jovens e aos mais velhos:

“Encoraje os jovens a serem prudentes”. Tito 2:6

“Ensine os homens mais velhos a serem moderados, dignos de respeito, sensatos e sadios na fé, no amor e na perseverança”. Tito 2:2.

2. Uma Nova Forma de Relacionar-se

a) Maneira Horizontal: não de cima para baixo. Com autoridade, mas sem autoritarismo. Com clareza da informação, explicando bem o que se quer. Sem ameaças ou coerção: “Faça porque eu estou mandando! Faça por que senão você vai ver o que acontece!” Afinal, você não está lidando mais com uma criança.

b) Inclusão: os mais jovens, agora querem ser tratados como parte do time da família, querem ser ouvidos e respeitados em suas opiniões e ideias. Desejam dar sugestões nas soluções nos problemas da família.

c) Empatia: é preciso mais compreensão pelas diferentes ideias e visões de mundo. Entender que “pensar diferente” não é sinônimo de falta de amor, desrespeito ou rebeldia.

d) Reconhecimento: Elogiar quando o outro fez algo positivo. Reconhecer o que se fez de bom e não só apontar as falhas. Mostrar alternativas para melhorar a ideia.

É preciso preparar uma geração de homens e mulheres que sejam adultos maduros e responsáveis. As palavras do apóstolo Paulo, proferidas há tantos anos atrás é um desafio para os nossos tempos: “Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino” (1Co 13.11).

 

Temos uma geração de jovens que precisa dos bons exemplos dos mais velhos, de sua experiência e referencial de vida comprometida com os valores do Reino e da Justiça de Deus. O futuro SEMPRE nos trará diferentes gerações, que viverão grandes desafios de comunicação. Só que o homem tem uma grande tendência de se afastar dos valores que Deus planejou para a família.

Aí entra a importância daqueles que são cristãos desenvolverem a persistência. É necessário ensinar e vivenciar em nossos lares, os propósitos ensinados pelo Senhor, na Bíblia. Cada membro da família cumprindo seu papel, sem perder a sua identidade. Pais, procurando manter uma vida saudável e responsável diante dos filhos; filhos, retribuindo o bem recebido num tratamento de honra e respeito, mesmo quando houver discordâncias; da mesma forma, o tratamento dos avós, parentes, etc. (Efésios 6.1-4; 1Timóteo 5.4)

Há necessidade que a família atual aprenda a “viver em conciliação”, extraindo o que cada um tem de melhor, vencendo o desafio nosso de cada dia, que é:“Como andarão dois juntos se não houver entre eles acordo?” Amós 3.3.

Autores: Pr. Sergio e Psi. Magali Leoto
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*Debora C. Carvalho: Mestra e doutora em sociologia pela Unesp. Professora de Sociologia da Universidade Federal de Lavras. Autora de livros didáticos de Sociologia.

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