Feminismo Bíblico

4 de setembro de 2018
mulher-executivaNestes tempos pós-modernos, temos vivido a relativização de alguns conceitos. A identidade do que é ser mulher, tem sido alvo de muitas controvérsias. A partir dos movimentos feministas dos anos 60, quando o lugar da mulher passou a ser questionado, aconteceram alguns ganhos que permanecem até hoje.
Não podemos negar, no entanto, que esta luta por mudanças também trouxe prejuízos. Foi um “grito de protesto”, fruto de anos de injustiças. Pensou-se muito na valorização da mulher, mas pouco se avaliou quanto as consequências destas mudanças, para a sociedade e principalmente para o ambiente familiar.
Hoje nos deparamos com movimentos feministas mais preocupados com ideologias sociais e políticas, do que propriamente com a saúde integral e bem-estar da mulher. Fala-se muito sobre o “empoderamento feminino”, algo que poderia ser uma ferramenta de descobertas e habilidades pessoais, mas tornou-se motivo de disputas entre os sexos. Traz como argumentos a autonomia e autossuficiência da mulher, distanciando os cônjuges de uma interdependência no relacionamento e afastando-os cada vez mais, para seus mundos individualizados.
Há sim um feminismo, ou seja, o que é ser mulher, sua identidade e função na criação. O Criador, desde o Gênesis, já declarou esta verdade. É sobre esse FEMINISMO BÍBLICO que quero compartilhar. Relatar algumas percepções que tive ao fazer uma pesquisa nos originais da Bíblia.
Ao entrar na fase adulta, eu fiquei em crise sobre essa questão da mulher. Estava inconformada com o que ouvia nas pregações e lia nos livros, geralmente de autores homens e estrangeiros. Fui ler escritoras, sobre o assunto e a frustração foi maior: eram mais machistas que os homens! Resolvi fazer, uma pesquisa nos originais bíblicos e ver o que Deus falava sobre a mulher. Pesquisei nos dicionários em hebraico e comentários bíblicos e pude ver o quanto a cultura nos distanciou dos propósitos divinos para a mulher.

A questão da palavra Adam 

Minha primeira descoberta foi que Adão, não era necessariamente o nome do marido da Eva. No hebraico, ADAM, quer dizer “humano, que se refere a humanidade. Algumas versões atuais da Bíblia já traduzem como “humanidade”. Veja as diferentes versões:
  • Gn 5: 1-2 “No dia que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez. Macho e fêmea os criou; e os abençoou, e chamou pelo nome Adão, no dia que foram criados”. (ARC Versão Atualizada, Revista e Corrigida)
  • Gn 5.1-2 “Deus criou a raça humana à sua imagem e semelhança, com natureza semelhante a dele. Criou-os homem e mulher, quando foram criados, Deus os abençoou e os chamou de “humanidade” (Bíblia Mensagem, de Eugene Peterson).
Ao pensarmos na prática do dia a dia, parece que recebemos uma cultura (equivocada) de que o homem é “mais semelhante a Deus e mais abençoado”. Mas, como é bom saber que na criação, homem e mulher carregam em si, igualmente a Imago Dei. Ambos foram abençoados por Deus, nem mais e nem menos. Isto quer dizer, possuem potencialidades, habilidades e inteligências semelhantes. São biologicamente iguais, porém em algumas partes fisiologicamente diferentes.
Você leitor, acredita realmente que a mulher é tão semelhante a Deus e tão abençoada como o homem? Ou bem lá no fundinho… você tem uma alguma dúvida?
Interessante observar, em nossas palestras para casais, quando faço a pergunta: – Homens aqui presentes, acreditam que as mulheres também são a imagem de Deus, tanto quanto vocês? Sim ou não? E a surpresa, é um “sim”, quase engasgado na garganta e sem força. E só depois de perguntar novamente é que reforçam a resposta. Mais triste ainda, quando faço a mesma pergunta às mulheres, e o “sim”, também soa leve e fraco. Isto reforça a ideia de que nem homens, nem mulheres, têm consciência de seu igual valor e significado diante de Deus.

O verdadeiro significado de “auxiliadora idônea” 

Se havia um texto que me intrigava, era esse: “far-lhe-ei uma auxiliadora idônea”. Não basta ser auxiliar, ainda tem que ser idônea?!! A palavra “auxiliar”, apresenta um contexto, de que sempre existe alguém que é o coordenador e o outro que o auxilia. Talvez no imaginário masculino, o homem é o chefe e a mulher, serve o cafezinho! Mas será que essa foi a ideia original de Deus?
Lemos em Genesis 2:18 “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda”. (NVI – Nova Versão Internacional). A palavra “auxilie” que aparece neste versículo, no hebraico é EZER. A mesma encontrada como atributo a Deus em Sl 46.1-“Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio presente na adversidade” e Sl 46.4-6… “Deus vem em meu auxílio desde o romper da manhã”.  É também encontrada no radical da palavra EBENÉZER: 1Sm 7.12 “Então Samuel pegou uma pedra e a ergueu… E deu-lhe o nome de EBENÉZER, dizendo “Até aqui nos ajudou o Senhor”.
Deus em sua soberania, sabia que o homem, para continuar sua existência e para cuidar da criação, não poderia estar só. O “EZER” (auxílio) que ele recebia de Deus, também seria encontrado em forma humana, na sua companheira. Portanto, baseando-nos nas passagens em que “EZER” foi utilizada, a convivência entre homem e mulher, deve ser de refúgio, fortaleza, presença contínua, até mesmo na adversidade.

O início das desigualdades

Observe como Adão vê a Mulher antes da queda: Gn 2.23-24 “Esta afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne, chamar-se-á varoa porque do varão foi tirada.” (Edição Revista e Atualizada). No original as palavras são Ele = ISH, para varão; e Ela = ISHA para varoa. Os dois são ADAM, humanos. Ele a reconhece fisiologicamente diferente. Diferentes apenas em gênero.
Após a queda, é interessante notar como o homem vê a mulher: Gn 3.20 – “Adão deu a sua mulher o nome de Eva, por ser ela a mãe de todos os seres humanos”. Adão dá um novo nome à mulher. Não mais ISH e ISHA, mas EVA, a mãe de todos. Algo me diz, que aí começaram as desigualdades, depois do pecado…

A mulher na redenção

O pecado e a humanidade até podem ter tentado, mas não conseguiram mudar os propósitos de Deus para a mulher, através dos tempos. Desde o início, há um princípio maior. Nunca foi plano de Deus reduzir o valor da mulher e do homem.
A Redenção, veio resgatar tudo o que o pecado maculou. Inclusive o valor da mulher: Gl. 4.5-6  “Vindo porém a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher… para resgatar os que estavam sob a Lei”. Deus presenteou a mulher na Redenção, trazendo Jesus ao mundo, através do seu útero. Cristo poderia vir ao mundo de outras maneiras. Como por exemplo, quando Ele subiu ao céu na Sua ascensão. Da mesma forma Ele poderia descer, já adulto e iniciar o Seu ministério. Mas, dentre os planos de Deus, estava o de exaltar a mulher.
A redenção também desfaz diferenças em vários níveis das relações humanas, inclusive entre homem e mulher: Gl 3.28 “No Reino de Deus, não pode haver judeu e nem grego, nem escravo e nem liberto, nem homem e nem mulher, pois todos vós sois de Cristo Jesus”. 

Novos tempos

Os tempos pós-modernos afetaram as noções de gênero, sexualidade e papéis feminino e masculino. Não podemos perder os propósitos de Deus, desde a criação: homem e mulher, feitos semelhantes a Ele e igualmente abençoados. As filosofias, ideologias vem e vão. Temos que ficar atentos às transformações e aos novos contextos. Mas jamais poderemos abrir mão de nossos valores e identidade em Cristo.
Cabe a nós, prosseguir em luta pelo resgate da dignidade humana, seja referente a homem ou mulher, enquanto vivermos aqui nesta terra. Desta forma, aguardaremos a nossa herança completa, quando finalmente o Perfeito (Jesus) voltar.
Autora: Magali A. Henriques Leoto
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