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VENCEDORES POR CRISTO

Depoimento: 

Sergio Leoto conta as dificuldades encontradas, no início da música jovem evangélica brasileira, a partir dos anos 70.

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A CONTEXTUALIZAÇÃO DA MÚSICA EVANGÉLICA A PARTIR DO GRUPO VENCEDORES POR CRISTO

Por Sergio Leoto
Deus usou o trabalho realizado em Vencedores por Cristo (VPC), entre os anos de 1972 até o final de 1990, como o “desafio definitivo” para que eu me dedicasse em tempo integral ao ministério.

Sou um dos primeiros participantes. VPC foi iniciado pelo Pr. Jaime Kemp e sua esposa Judith (foto) em 1968 .Eu participei pela 1ª. vez em Jan/72. Depois, a partir de 1982 me tornei missionário em tempo integral de VPC, juntamente com minha esposa Magali.

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É importante compreender que VPC não era um “conjunto fixo”, mas sim uma Agência Missionária que formava grupos para sairem nas férias escolares (que deveriam coincidir com as de trabalho) com a duração total de 3 meses. Após estes 3 meses, o grupo terminava seu ministério e seus membros voltavam para aplicar o que aprenderam em suas igrejas locais.

O Processo

A proposta sempre foi dupla: a) treinamento de liderança jovem e b) evangelização.
O processo era o seguinte:

– os jovens interessados, escreviam para a missão e era solicitado informações aos seus pastores e familiares, pois somente com a autorização destes, os jovens poderiam participar;

– a cada semestre, chegavam mais ou menos 200 pedidos de participação, eram escolhidos (via conversa com pais/pastores e entrevista pessoal) em média 15 a 20 novos participantes.

– o período de vida do grupo (3 meses) era dividido assim:

a) no 1º.mês, eram encontros no escritório da missão em SP, aos finais de semana, pois os participantes ainda não estavam em férias. Faziam uma espécie de “Seminário Bíblico Relâmpago”, onde os missionários davam estudos visando primeiramente, acertar as vidas dos participantes com Deus; depois, estudos tinham como objetivo a capacitar os jovens ao aconselhamento de pessoas; e em 3º.lugar, capacitá-los a testemunhar em qualquer situação: praça, praia, hospitais, TV, rádio, etc.

b) no 2º.mês, já em férias, viajavam pelas cidades já previamente contatadas pela missão, colocando em prática o que aprenderam, supervisionados pelos missionários e os participantes mais experientes.

c) no 3º.mês, novamente aos finais de semana, íamos “entregar” simbólicamente os participantes às suas igrejas locais, contando testemunhos sobre as bençãos e aprendizados da viagem missionária. Ao final deste mês, o grupo extinguia-se. Seus participantes voltavam às suas igrejas. Os missioários de VPC (como eu), passavam os próximos meses, preparando as viagens das próximas férias e selecionando o próximo grupo de novatos, começando do “zero” todo o processo.

A Resistência

Toda novidade traz os seus “apoios” e suas “oposições”. VPC era interdenominacional e tinha uma boa aceitação principalmente nas igrejas históricas.

O “formato” usado por VPC, já era uma idéia bem sucedida nos EUA há muito tempo e o Pr. Jaime Kemp (que é batista), implantou em VPC quando chegou ao Brasil. Só que Jaime tinha uma visão interdenominacional e a liderança evangélica de sua época, tinha uma certa resistência de trabalhar em conjunto com outras denominações (não mudou muito, hoje em dia).

O apoio maior na ocasião surgiu por parte dos presbiterianos, metodistas, de igrejas batistas cujos pastores eram mais favoráveis a mudanças e com o decorrer dos anos, igrejas pentecostais como Evangelho Quadrangular, Nazareno, Comunidades e até mesmo a Assembléia de Deus foram enviando seus jovens para serem treinados por VPC.

Desde o início, o Pr. Jaime nos instruia: “Quem dá a última palavra, sobre o tipo de instrumentos que poderemos usar a cada apresentação é o pastor da igreja. Tirem o que ele achar que não é conveniente em sua igreja”. Chegávamos a tirar vários instrumentos: guitarra, bateria, contrabaixo, etc. Fazíamos o programa às vezes, só com o violão, ou só o piano, além das vozes (eu, em muitas viagens toquei bateria e várias vezes tive que guardá-la, pois alguns pastores a consideravam um “instrumento do demônio”).

As apresentações eram feitas com: músicas, testemunhos e uma pequena mensagem, no final. Como o que nos movia não era o interesse em cantar ou tocar, mas sim um desejo fantástico de contar o que Jesus estava fazendo em nossas vidas, nós realizavamos o programa, faziamos apelo de salvação e/ou consagração e tinhamos resultados impressionantes: não raramente, metade dos jovens presentes vinham à frente, atendendo os apelos.

Depois desta realidade, os pastores passaram a ver que não queríamos “aparecer”, mas sim sermos usados por Deus. Nos dias que se seguiam, os pastores voltavam atrás e diziam: “Hoje, coloquem todos os instrumentos, para vermos como fica a apresentação!”. Ganhamos os pastores, pela nossa vida com Deus e não através da rebeldia!

Hoje em dia, a maioria absoluta das igrejas (em todas as denominações), tem liberdade em usar qualquer instrumento no salão de cultos. Esta foi a contribuição que a minha geração deu, à futura geração que está hoje aí!

A visão do Grupo VPC

A maior visão do Grupo VPC é o DISCIPULADO, eu poderia resumir como: “Fazer discipulos de Cristo, amadurecidos e sadios, que façam outros discípulos”. Com esta “visão”, a Missão VPC treinou mais ou menos 600 pessoas (jovens de 18 a 25 anos na época), que se tornaram líderes em suas denominações e implantaram mudanças positivas por onde passaram.

Como se deu a mudança

É preciso ter consciência do que acontecia naquela época: os jovens dos anos 60 e 70 eram vistos com preconceito por parte dos mais velhos, quando cantavam corinhos. Com este DES-incentivo, eram poucas as canções jovens e mesmo assim, eram músicas americanas que nos eram traduzidas.

Nós, os jovens desta época, só cantavamos hinos do CC e dos outros hinários denominacionais existentes. Ansiavamos por algo novo, que fosse a música que representasse a nossa geração (era dos Beatles e Rollingstones) e a nossa nação (bossa nova, entre outros), sem desprezar tudo o que já crescemos cantando (hinos tradicionais).

Quando VPC surge, inicialmente cantando hinos (com arranjos e ritmos mais modernos) e mais adiante, traduziram músicas que os hippies convertidos dos EUA passaram a gravar e espalhar pelo mundo (baladas, folks e rocks), nossos rostos se alegraram: “FINALMENTE alguém estava falando a NOSSA língua musical!!!”.

A sequencia natural de VPC foi implantar a música evangélica com ritmos brasileiros. Houve um preconceito inicial, com aprovação posterior. O “marco” principal foi quando gravamos o LP “De vento em popa”, com 12 músicas totalmente brasileiras, algo que não se podia NEM imaginar, na época.

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Mas continuamos a cantar hinos tradicionais, com arranjos modernos. Nossos arranjadores passaram a ser “referência” para a juventude da época, instruindo a que não deveríamos desprezar o nosso passado musical, mas sim considerá-lo como a “base, fundamento” do que é novo e que vem a seguir.

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VPC hoje:

a) em parte continua a mesma filosofia: hoje, eles ainda se propõem a treinar liderança jovem, como desde o início.

b) em parte mudou: sobraram pouquissimos missionários em tempo integral, devido à falta de sustento.

Equipes Missionárias que Sergio Leoto e Magali Leoto participaram em VPC

1. Equipe Missionária no. 8: Jan/72: visitadas 4 cidades nos estados RJ e MG.
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2. Equipe Missionária no. 16: Jan/75: 12 cidades – RS-PR-SP-RJ.

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3. Equipe Missionária no. 23: Jan/77: 5 cidades – 2 no RS e 3 no Uruguai

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4. Equipe Missionária no. 27: especial – de 1978 a 1980: dezenas de cidades

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5. Equipe Missionária no. 34: Jan/81: 11 cidades – RJ-ES-BA-PB-PE-SE

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6. Equipe Missionária no. 38: Julho/82: 9 cidades – MG-RJ-DF-GO
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7. Equipe Missionária no. 40: Julho/83: 8 cidades – PR-RJ-MG-SP-DF-GO

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8. Equipe Missionária no. 42: Julho/84: 7 cidades – SP-MS-MT

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9. Equipe Missionária no. 43: Março a Nov/85: 8 cidades – SP-MS-MT-DF-RJ-MG

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10. Equipe Missionária no. 45: Jan/87: 6 cidades – RJ-SE-PB-PE-RN-CE

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11. Equipe Missionária no. 46: Julho/87: 7 cidades – SP-RJ

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12. Equipe Missionária no. 48: Julho/88: 8 cidades – SP-RJ-MG

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Caminhos da Música Cristã Contemporânea

O fato de viajarmos por todo o Brasil, devido ao nosso trabalho de palestrantes na área de Família, tenho contato com igrejas de todas as regiões do país. Devido à independência das igrejas, eu diria que encontramos duas situações distintas:

a) Bolsões de música erudita: em pequena quantidade de igrejas (se considerarmos a totalidade das comunidades), mas que geralmente são de porte “grande” (mais de 800 membros). Mantém uma qualidade musical alta, geralmente tendo ministros de música qualificados e de tempo integral. Várias delas tem (ou estão trabalhando para ter) sua própria orquestra. Algumas são “avessas” a músicas jovens, outras convivem de forma equilibrada com elas.

b) Uma maioria que usa a música evangélica do momento: não deixam de ter seus corais (nem todas utilizam corais dominicalmente, mas em ocasiões especiais, como Páscoa, Natal, etc), mas cantam os canticos do momento, sem deixar de cantar as músicas e hinos antigos.

Saber se “atendem às expectativas”, depende DE QUEM são estas expectativas! Devido à independência de cada comunidade, creio que CADA IGREJA está escolhendo seu próprio caminho musical. As expectativas destas igrejas devem ter alcançado ALGO POSITIVO, pelo menos para elas. Poderiam ter expectativas maiores ou melhores? Eu creio que SIM. Mas temos que fazer as NOVAS PROPOSTAS e trabalhar COM CALMA as novas mudanças, como VPC fez nas décadas de 70 e 80.

Em relação às mudanças que estamos tendo nas últimas décadas no meio musical, existem duas coisas a serem observadas:

a) Música cristã como material a ser consumido:

– O trabalho que desenvolvemos em todo o país, provocou o despertamento musical de muitos grupos evangélicos, bem como um mercado consumidor destas musicas;

– Demorou um tempo, mas as grandes gravadoras seculares brasileiras (com diretores que nem mesmo crentes são) copiaram o que acontece nos EUA e passaram a comandar a produção de música “gospel”;

– Hoje temos interesses altamente capitalistas,

b) Teologia rasa ou equivocada, nas letras das músicas:

– Fruto do que vimos acima, os grupos formados, as musicas que serão gravadas, os shows que irão ser feitos, TUDO VISA LUCRO. Não importa se a música tem letra correta biblicamente ou não, DESDE QUE O POVO COMPRE!!

O que está acontecendo no Brasil, em termos de música cristã, já vem acontecendo há anos nos EUA. O “mercado consumidor” de música gospel americano é mais antigo e maior que o nosso.

Mas nos EUA, você sempre teve grupos que se diferenciavam e que diziam “NÃO”, aos exageros das gravadoras americanas. Artistas como: Michael W. Smith, Petra, André Crouch, Ralph Carmichael, Kirk Franklin, Take 6, Phil Keaggy, Rebecca St. James etc, conseguiram realizar “cultos e ministérios” e não apenas “shows musicais”.

Muitas gravadoras entenderam que se quisessem contar com estes grandes artistas (que se posicionaram desta forma), teriam de fazer concessões: deixá-los escolher as próprias músicas, realizar apresentações que seriam “concentrações evangelisticas” e não simplesmente “show com cobrança de ingressos”.

Creio que no Brasil deveremos ter esta diferenciação entre “artistas que se dizem cristãos” e “artistas que VERDADEIRAMENTE tem um testemunho cristão”. Fica o desafio as comunidades e as pessoas que terão o trabalho de saber diferenciar “quem é quem”, julgando com critérios bíblicos suas atitudes e músicas. Que seja dado o louvor e a glória somente a quem é devido: a Deus, o Pai, o Filho e ao Espírito Santo.