Sexo e Autoestima

14 de dezembro de 2016

casal-sorrindo5b“Mais do que máquinas precisamos de humanidade. Mais do que sexo, precisamos de afeto e ternura”. (Parafraseando Charles Chaplin)

Há uma fragilidade nos laços humanos. A vida virtual nos afeta. Temos o desejo de vínculo, de amar e ser amado. Mas ao mesmo tempo, há falta de compromisso. Vivemos em tempos de “Amores líquidos”, é o que constata, Zigmunt Bauman, em seu livro homônimo.

Relacionamentos líquidos, que escorrem e se evaporam tão rápido como começam. Os vínculos são desmanchados sem dificuldades, tratados como mercadorias que se tiverem algum defeito, são trocados, por uma versão mais atualizada. Troca-se de parceiro como se troca de roupa. A palavra de ordem é: “Desapega”. Não há muito apego, para não sofrer.

O amor romântico, aquele à moda antiga, está fora de questão. E os valores como confiança, fidelidade, exclusividade, amizade, até que a morte nos separe… não estão mais no cardápio. Aliás, não se sabe mais a diferença entre o significado de amor e paixão. Não se consegue definir onde começa e termina cada um. Tudo soa como uma coisa só.

A consequência é que surge uma nova ética para a questão sexual. O significado do sexo na relação amorosa foi alterado, totalmente diferenciado do objetivo primeiro do seu criador: Deus. Foi transformado em algo descartável, impulsivo, objeto de satisfação pessoal, desejos e fantasias.

A relação sexual tornou-se moeda de troca, de barganha: “Se você me ama, fará o que eu desejo, dará o que eu quero”. Transformou-se em possibilidades de controle, de posse e (por que não dizer?) até de violência emocional e física.

Neste contexto, mantêm-se um relacionamento amoroso de baixa qualidade, um Amor Patológico, doentio. Baseado em dependência emocional, criando-se a ilusão de que o outro passa ser o responsável por preencher o seu vazio existencial. Toda felicidade e amor de que se necessita, só pode ser alcançada através do outro. Perde-se no outro. Não encontra mais sua identidade, sua aptidão de ver suas capacidades e habilidades, seus sonhos e ideais. Sua vida consiste em viver para o outro e satisfazer o outro, caso contrário ele não vai me amar e me aceitar.

A autoestima do parceiro dependente, inclusive na área sexual, fica comprometida. Surgem consequências negativas, como a falta de autoconfiança, insegurança, crenças falsas sobre o seu valor, como de inferioridade ou então de considerar que não merece ser amado e respeitado. Pode até transferir estes sentimentos negativos, para o seu relacionamento com Deus.

Temos aqui uma armadilha: por enfrentarmos dificuldades com as nossas próprias emoções, perdemos de vista o verdadeiro significado que Deus tem para o sexo, em nossos relacionamentos. Para não cair nesta armadilha, são necessários alguns cuidados:

  1. Esteja firme em sua IDENTIDADE – Quem é você? Se você tem certeza que sua identidade é ser “filho ou filha do Rei Jesus”, será mais fácil definir com quem terá seu vínculo amoroso: com alguém que tenha a mesma identidade que a sua: filho do Rei Jesus (2Co 6. 14: “Não se ponham em um jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e o maligno? Que há de comum entre o crente e o descrente?”).
  2. Esteja firme em seus VALORES – É necessário saber quais são os seus valores, para fazer uma boa escolha. Se você está pactuado com estes princípios, irá se vincular com alguém que compartilhe de valores semelhantes aos seus. Caso contrário, estará indo contra a sua própria essência. E se sua identidade é do Reino de Deus, seus valores também estarão firmados nos conceitos da Palavra de Deus, a Bíblia. (Por ex: Amar e servir a Deus; Fidelidade e lealdade; Honrar pais e autoridades; Educação e amabilidade; Honestidade inegociável; Excelência no trabalho; Estudo e preparo constante, etc). Portanto, ao buscar o seu parceiro amoroso, pesquise se ele tem valores diferentes dos seus (Mt 7:18-20 e 24: “A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons […] Assim pelos seus frutos vocês os reconhecerão. […] Portanto quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha”; Jo 14:21: “Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele”).
  3. Tenha uma BOA AUTOESTIMA – Se você não está bem consigo mesmo, fatalmente irá usar o outro para suprir esta falha, proteger-se e sentir-se seguro. Irá construir um relacionamento de dependência emocional, trazendo sérios conflitos ao relacionamento. Caso esteja com problemas, procure ajuda com um conselheiro confiável ou mesmo uma ajuda profissional, visando a reconstrução desta imagem saudável (Rm 12:3: “Ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas ao contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu”; Mc 12:30-31: “Ame o Senhor seu Deus de todo o seu coração […] Ame o seu próximo como a si mesmo […]”; Pv 3:6: “Reconheça o Senhor em todos os seus caminhos e ele endireitará as suas veredas”.
  4. Saiba o que é um AMOR DE VERDADE – É um amor romântico e profundo, mas que não vive “no mundo da lua”. Gera atitude. Amor cheio de ação, compromisso, responsabilidade e até mesmo disposição sacrificial. Mas que deve ter reciprocidade, expressão de afeto, bondade, que não busca seus próprios interesses, mas aguarda o ritmo do outro, sabe esperar, além de caminhar para a unidade, vínculo e prazer verdadeiro, baseado em 1Co 13.4-7: “O amor é paciente, é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas sim com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. 2Co 4:18: “Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno”.

Sendo assim, quando temos claro quem somos, quais são os nossos valores inegociáveis, procuramos manter uma autoestima equilibrada e sabemos reconhecer um amor verdadeiro, certamente as chances de acertar nas escolhas amorosas, serão muito maiores! Não aceitaremos ser alvos de investidas descartáveis, cantadas enganosas, nem de nos tornarmos cativos por envolvimentos possessivos e doentios.

Voltemos a valorizar o autêntico significado da relação sexual, que o Criador preparou para nós desde a eternidade: um ato de profundo afeto, realizado dentro do casamento, para celebrar a Vida, o Amor e a Unidade.

Sexo é celebração! Sexo é a festa do Amor!

Autores: Sergio e Magali Leoto

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