A Importância Da Escuta No Aconselhamento

10 de julho de 2020

Counselling and Support

Temos visto um crescimento do número de pessoas que querem se envolver com aconselhamento ou de alguma forma ajudar às pessoas.
O sofrimento humano e o aumento das doenças psicossomáticas (que começam no emocional e refletem no corpo) têm sido algumas das causas da relação de ajuda tornar-se cada vez mais necessária.
Entretanto, há uma falta de pessoas capacitadas para exercerem algum tipo de auxílio. Em alguns casos, a boa vontade em ajudar já resolve o problema. Mas em outros, precisa-se de certo preparo ou até que um profissional tome conta do caso.
Dentre as práticas do aconselhamento, talvez a mais difícil seja a “Escuta”. Neste texto, vamos analisar “o que é e o que não é” a Escuta, além de “como executar” uma boa Escuta.
  1. O que é a ESCUTA?

“O caminho mais curto de si para si mesmo, passa pelo outro e a escuta de si, passa pelo fato de ser escutado pelo outro” (Poujol).
A escuta, implica em analisar o que alguém diz e por que diz. Portanto, é mais do que ouvir. É permitir que o outro conte e revele-se ao conselheiro, através da linguagem.
A fala, como uma das formas de comunicar-se ao ouvinte, é um fenômeno que permite a melhora da pessoa, simplesmente pelo fato de estar falando. Escutar é ajudar o outro a ajudar a si mesmo.
A linguagem humana é mais que uma troca de informações ou conhecimentos. Os animais comunicam-se entre si através de sinais, sem liberdade de interpretação pelo outro animal que recebeu os sinais. Na linguagem humana, o outro que ouve, entende de diversas maneiras. Há liberdade de expressão, de revelar-se, de troca e ajuda mútua.
Um fundamento básico da escuta encontra-se no fato de que cada um possui em si mesmo os meios de resposta aos seus problemas. Assim, a escuta centraliza-se no aconselhado e não apenas em seus problemas. É como se a pessoa, simbolicamente, pendurasse suas dificuldades, assim como, “pendurasse o seu casaco” . Ele pode falar livremente, quando e como quiser, pois quem faz o aconselhamento, deve renunciar as atitudes como: explicar, convencer, responder e justificar.
A escuta deve se dar em 4 níveis:
– os fatos: a história, os acontecimentos, tal como a pessoa se lembra.
– os sentimentos: o que foi sentido emocionalmente.
– o comportamento: as atitudes, os gestos, os esquecimentos, as reações.
– o seu interior: como tudo isso repercute em seu interior.
Escutar exige saber diferenciar-se do outro. Ter uma personalidade independente do outro. Separar seus sentimentos e desejos, aquilo que é seu e o que é o do outro. O que você sente ou pensa no momento da escuta, lhe pertence. É preciso despojar-se dos preconceitos, questionamentos e estar disposto a querer ouvir, permanecer atento, estar disponível.
Não é preciso simpatia (sentir o mesmo que o outro), mas empatia, perceber os componentes emocionais, como se fôssemos a pessoa que ouvimos, mas sem perder a condição “como se”. É ter uma presença calorosa e, ao mesmo tempo, não emotiva. Não ter repostas prontas, mas demonstrar, que se pode contar com você. (Carl Rogers).
O ouvinte deve ser digno de confiança, demonstrar afeição, interesse e respeito. Ser capaz de aceitar o outro com suas diferenças, aceitá-lo como ele é. Compreendê-lo como alguém que não está pronto, mas está sendo transformado por Deus.
  1. O que a ESCUTA não é?

A escuta não é uma troca de opiniões e considerações. Nem uma conversa calorosa, com argumentos e objeções. Não é uma série de confissões. O ouvinte não está num confessionário, que julga, pune, perdoa. Está ali para ser compreendido em seu sofrimento.
Não é um monólogo. Se a pessoa diz: “Não consegui dizer uma palavra”, é porque o conselheiro, por desejo de poder ou insegurança, discursou mais do que ouviu.
Não é um interrogatório. Se a pessoa que fala é bombardeada por perguntas, ela sente-se inferior, sob suspeita, fica ansiosa, pode sentir hostilidade pela curiosidade do ouvinte, deixando de expressar questões importantes.
Não é julgamento moral. Quando o conselheiro é impaciente e pressiona, explorando alguma norma moral quebrada, quem fala sente-se julgado e acuado. Pode se revoltar e sentir-se mais culpado e perdido. É preciso perceber o momento certo de dar uma opinião pessoal. Geralmente a pessoa sinaliza, quando quer ser avaliada. Devemos procurar dizer a coisa certa, na hora certa, para colher os frutos certos.
Não é paternalismo ou maternalismo. O consolo trás alivio imediato. Estes momentos devem ser de curta duração, pois pode criar uma dependência afetiva e deixar o aconselhado passivo.
Não é propor soluções imediatas e decidir pelo outro. Exceto em casos de extrema urgência, como por exemplo, pensamento suicida. A melhor atitude é a compreensão e levá-lo a pensar sobre o conflito, estimulando a pessoa a achar saídas para o problema. Exemplo: “Você está vivendo um conflito muito grande e parece que não está sabendo como resolvê-lo”. A pessoa neste momento sente-se estimulada a falar mais e enquanto fala, pode ir percebendo maneiras de resolver a questão.
  1. Executando uma boa ESCUTA

A escuta permite que quem fale, possa ouvir o que ele mesmo diz, proporcionando assim alivio para a tensão emocional. Carl Rogers acredita que os únicos conhecimentos que podem influenciar eficazmente o comportamento de uma pessoa, são “aqueles que ele descobre por si, apropriando-se deles”.
. Rogers apresenta algumas técnicas de como realizar este procedimento: o reflexo, modificar a percepção e a clarificação.
O Reflexo
Consiste em fazer uma paráfrase (dizer o mesmo, em outros termos) do que a pessoa quis dizer. Usar frases como: “Então para você …” , “Em outras palavras…” , “Você quer dizer…”
Exemplo: “Eu me sinto sem forças, não aguento mais, vou explodir”. A tentação seria perguntar: “Por quê?”.
Uma resposta possível: “Se estou entendendo, você se sente por um fio”.
– “Ah, é assim que eu me sinto!”. A pessoa vai se sentir compreendida, aliviada e motivada a continuar a se expor.
Modificar a percepção
A pessoa que sofre, tem a tendência de ficar prisioneira a um aspecto da situação em que está. Não é capaz de ampliar sua visão e ver outros lados da questão. É preciso dar a possibilidade de modificar sua percepção.
Exemplo: “Entre os membros da minha igreja, eu posso contar apenas uns dois ou três, com quem eu possa ter uma conversa inteligente”.
Reformulação feita pelo conselheiro:
“Com relação às pessoas para conversar, quando se trata do ponto de vista, como da inteligência, você sente-se sozinho em sua igreja.”
Esse tipo de resposta exige um tom de empatia, caso contrário, pelo efeito do choque que a pessoa sente, ela pode pensar que você está ironizando. O importante é fazer com que o aconselhado possa ver a situação de outro modo. Em 2Samuel 12, o profeta Natã, utilizou desse método quando foi até Davi para falar do adultério.
A Clarificação
É mais uma forma de devolver ao aconselhado o que ele diz. Precisa-se de uma certa intuição do conselheiro, pois muitas vezes o discurso é confuso e há o risco de querer interpretar o que a pessoa diz. Devemos apenas “clarear” o que está confuso, para que a pessoa chegue às suas próprias conclusões.
Exemplo: “Minha irmã quer sempre ter a última palavra sobre tudo. É uma pretensiosa. Quando ela chega, eu já digo tchau e saio”.
Utilizando a Clarificação:
“O aspecto central do problema não é a maneira de agir de sua irmã. É o fato de que as atitudes dela afetam negativamente você e então você prefere desaparecer”.
Estas são pequenas sugestões para facilitar a ajuda a alguém que sofre. O conselheiro deve sempre ter em mente que ele não é o salvador, nem um pai, mas é parteiro. É recompensador ver a pessoa que lhe pede ajuda tornar-se responsável por si mesmo e reconstruir sua história pessoal.
Vale a pena refletir sobre a citação de Dietrich Bonhoeffer: “O amor ao próximo começa com o aprendizado de sua escuta”.
Indicações Bibliográficas:

– Collins, Garry, Ajudando uns aos outros pelo aconselhamento. SP: Ed. Vida Nova, 2003.

– Poujol, Jacques e Claire, Manual e Relacionamento de Ajuda, SP: Editora Vida Nova, 2006

– Rogers, Carl R.- Psicoterapia e consulta psicológica, SP; Ed Martins Fontes, 1987

– Seamands, David. A cura das memórias, SP: Mundo Cristão, (s.d.)

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