Gravidez na Adolescência – preocupação mundial

18 de setembro de 2019

Gravidez4O assunto da Gravidez na Adolescência, está trazendo grandes preocupações para as autoridades brasileiras e órgãos internacionais.

As estatísticas sobre isso, são precárias em nosso país, mas as que já estão disponíveis são alarmantes:
  1. No Brasil: 1 milhão de Adolescentes por ano dão à luz (são 20% dos nascidos vivos).
  2. No Mundo: Segundo dados da Organização Mundial da Saúde:13 milhões de crianças por ano, nascem através de mães com idade entre os 15 e 19 anos.
  3. No Estado de São Paulo: – em 1970 : 6,4% das adolescentes (15 a 19 anos) tinham um filho vivo. Em 1985 : este índice subiu para 13%.
(Fonte: “Gravidez na Adolescência”, Dra. Albertina Duarte, Ed. Artes e Contos, RJ – RJ, 1997)
Infelizmente, este problema já está ocorrendo também, dentro de muitas Igrejas Cristãs. Isto só não acontece de maneira mais acentuada, devido a movimentos do tipo “Vale a pena esperar”, que heroicamente lutam, motivando jovens de todo o país. Mas ainda é muito pouco, diante de tantos focos que surgem.
Percebemos que muitas igrejas estão “atordoadas”, diante da realidade da gravidez precoce, sem saber como reagir. O correto seria muito antes, terem tratado da PREVENÇÃO, com palestras comunicativas, sobre os padrões bíblicos para o sexo.

CAUSAS POSSÍVEIS

Por que tantos adolescentes têm se deixado seduzir, partindo para o sexo pré-conjugal? Podemos lembrar de algumas razões (entre várias):
  1. MÍDIA QUE NÃO CONTA TODA A VERDADE: propagandas, enredos de novelas e filmes, utilizam a sensualidade, para venderem produtos ou mesmo uma ideia de “sucesso”. Mostram a ideia IRREAL de que a relação sexual somente traz consequências boas. OMITEM as más consequências, como as possibilidades de doenças venéreas, gravidez indesejada, fetos não saudáveis etc (ou vocês já viram alguma novela, onde o galã pegou uma doença venérea, após um “romance” com a mocinha?) .
  1. DESINFORMAÇÃO BÍBLICA SOBRE SEXO:
a) Por parte dos pais: existem pais crentes que até estimulam o sexo na adolescência (parece loucura, mas acontece !), sob o pretexto de terem filhos “sexualmente bem definidos”. Isto, como se o fato de os filhos praticarem a abstinência bíblica até o casamento, fosse deixá-los “sem definição sexual”. Aos pais que alegam não saber os padrões bíblicos sobre este assunto, devemos avisar que já existem dezenas de bons livros cristãos, que podem ser encontrados nas livrarias evangélicas. Informar-se para ensinar corretamente, é dever de todos os pais.
b) Por parte dos filhos: se você tem dúvidas sobre qual é o padrão bíblico sobre o Sexo, é necessário ir atras da informação. Na escola não é assim ? Se você tem dúvidas sobre a matéria, você vai correndo procurar aprender com quem sabe. Busque com seus pais, com o pastor de sua igreja, com irmãos mais maduros na fé do que você, em livros cristãos sobre o tema etc.
c) Líderes: uma boa parte deles têm informação bíblica, mas confessa ter INABILIDADE na comunicação com Adolescentes, sobre este e outros assuntos. Há necessidade de um esforço especial da liderança, informando-se com comunicadores experientes desta faixa (até com Missões especializadas em juventude), sobre a melhor maneira de ensiná-los. Em último caso, tragam alguém para fazê-lo.

O CAMINHO PARA A GRAVIDEZ

A menina certamente é a maior prejudicada, quando existe a gravidez indesejada. Só que ela não percebe isso, até que aconteça consigo mesma! O romantismo acaba e a dura realidade começa a imperar.
Dra. Albertina Duarte, em seu livro “Gravidez na Adolescência”, cujo subtítulo é “Aí, como sofri por te amar”, mostra que a  adolescente se envolve sexualmente, buscando encontrar amor. Só que esta atitude traz sofrimentos, que ela jamais pensaria encontrar.
Muitas vezes o caminho para a gravidez é semelhante a este:
  1. A menina não se sente amada, seja por sua família, seja por seus amigos;
  1. Começa a desenvolver uma auto imagem negativa;
  1. Identifica-se e quer espelhar-se no sucesso obtido por personagens de novelas etc.;
  1. Usa alguns “truques” aprendidos nas histórias (entre eles, a sensualidade), para atrair alguém que goste dela;
  1. Após conseguir seu admirador, pensa que “para mantê-lo interessado”, deve aceitar intimidades físicas, cada vez maiores;
  1. O garoto, percebendo que a menina permite os avanços, diz a “famosa frase”: “Prove que me ama e tenha relações sexuais comigo”;
  1. Ela, achando que se negar irá perder o namorado, acaba cedendo;
  1. Tempos depois, ela descobre que está grávida e vai contar ao seu parceiro: “Querido, vamos ter um filho. Estou grávida !”. Ele responde: “VAMOS, é muita gente – você é que está grávida! e eu não estou preparado para ser pai! Tenho que estudar, trabalhar, você é que se vire! Tchau!”.
  1. A garota, mesmo SEM ESTAR preparada para ser mãe, tem que adiar seus sonhos de estudar, formar-se, para ter o seu filho, trabalhar para mantê-lo, passar pela difícil tarefa de contar para seus pais, para a igreja etc – e o garoto apaixonado? SUMIU!
  1. As estatísticas mostram que, boa parte das adolescentes que passam por este processo, voltam a repeti-lo, ficando novamente grávidas, num espaço de dois anos após à 1ª gravidez.
Esta não precisa ser a sua história ou dos seus filhos! Abra os olhos e fuja dos caminhos errados ou alerte sobre o que dissemos, a quem você ama!

CONSEQUÊNCIAS NOS DIVERSOS NÍVEIS

  1. PARA A ADOLESCENTE QUE ENGRAVIDOU:
A antecipação de uma etapa da vida, para a qual não estava preparada, ocasionará uma sequência de perdas, que devemos considerar : perdas psicológicas (dependendo do caso, há um verdadeiro abalo psicológico), perdas físicas (tanto por alterações do corpo, quanto pela possibilidades de doenças), perdas na vida escolar (a gravidez e as responsabilidades de ser mãe, muitas vezes prejudicam esta área), perdas na vida profissional (muitos sonhos terão de ser revistos),  perdas no apoio familiar, abandono do namorado etc. Tendências Perigosas: – Aborto – Suicídio – Prostituição – Prostração.
  1. NA FAMÍLIA:
Não deveria ser assim mas, infelizmente, em muitos casos é o que vemos, por parte das famílias : decepção geral, falta de apoio ao adolescente que caiu, discriminação (tanto da família para com quem caiu, como de outras famílias, para com os parentes do adolescente), expulsão de casa etc. Em alguns casos,  fazem pressão para o Aborto (até por parte de famílias evangélicas). Em outros casos: obrigatoriedade do casamento, o que pode se tornar  um erro até maior do que a gravidez indesejada.
  1. NA IGREJA:
Entre “perdidas quanto a como agir” e “abatidas pela decepção”, várias comunidades têm ido de extremo a extremo, ou não dando nenhuma disciplina, ou disciplinando sem amor. Ferem muitos membros, tanto na omissão, quanto na ação exagerada. Há um trauma também na Igreja.

COMO AJUDAR QUEM PASSA POR ESTE PROBLEMA?

  1. MENCIONAR SUA DECEPÇÃO, NÃO IRÁ AJUDAR A SITUAÇÃO:
Não é a melhor hora para SERMÕES sobre “como deveria ter agido”. Talvez no futuro (quando a “poeira” abaixar), surja a oportunidade de tocar neste assunto, com muito cuidado. Mesmo assim, peça sabedoria a Deus, principalmente questionando se você é a pessoa mais apropriada para falar. Acusações “histéricas” sobre falta de moralidade, só pioram a situação.
  1. ACOLHA E DISPONHA-SE A AJUDAR, ALGUÉM QUE DEMONSTRA REAL ARREPENDIMENTO:
Nestes momentos, a pessoa que engravidou está humilhada, assustada com as consequências do seu ato, perante outras pessoas. Em muitos casos, já caiu de joelhos diante do Senhor, confessando seu erro em verdadeiro arrependimento, como a Palavra de Deus quer.
  • 1Jo 1:9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele (Deus) é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça”
  • At 3:19-20a: “Arrependei-vos pois e convertei-vos, para serem cancelados os vossos pecados, a fim de que na presença do Senhor, venham tempos de refrigério …”
Ora, se o Senhor é fiel para perdoar e cancelar pecados, nós temos que ser fiéis para acolher e ajudar quem está arrependido, pois haverá um difícil caminho pela frente. Talvez antes de pensar em ajudar, você tenha que exercitar “PERDÃO”. Coloque sua decepção pelo que aconteceu, diante de Deus. A disposição de perdoar é nossa responsabilidade. A mudança de sentimentos é a parte de Deus. Agora olhe para a Cruz de Cristo:
  • Ef 4:32: “Antes sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros como também Deus, em Cristo vos perdoou” – Só entendemos o que é perdoar, quando nos colocamos debaixo da Cruz De Cristo.
  1. FAMÍLIA: ABREVIAR O “TEMPO DO CHORO” E ASSOCIAR-SE COM DEUS NA “RESTAURAÇÃO”.
O “tempo do choro” pelo que ocorreu é normal, mas eternizar o choro, é danoso! Deus perdoa e acolhe ao arrependido: a família também deve fazê-lo. A demora do perdão familiar, implicará em mais traumas e dificuldades à plena restauração do adolescente (neste caso, será importante o auxílio de um Conselheiro Familiar, que pode ser o pastor da sua Igreja).
A família deve ajudar a jovem a rearticular sua vida como: pessoa, estudante e profissional. Dr. Ageu Lisboa, psicólogo cristão, diz a esse respeito:
“É preciso ‘juntar os cacos’, de forma a transformar esta ‘ressaca’ em oportunidade de crescimento. Mesmo no caos, encontram-se elementos para a vida. A tarefa agora, é dar sentido à existência, buscando desenvolver uma atitude construtiva (…)
  • Os pais, deverão converter os sentimentos de desapontamento, em acolhida, graça e tentarem ser prestativos de algum modo.(…) Chamar a filha ou filho envolvido e se colocarem à disposição, para tratar das providências imediatas necessárias, como assistência médica, psicológica e seguro médico.
  • A garota, carregará uma responsabilidade maior. Alterações corporais, enjoos, preparativos para a recepção do bebê. Chegará a hora em que (pelo tamanho), não será possível saltar do trampolim e outras atividades. Até o ritmo das aulas será diferente. Talvez haja interrupção das aulas, em momentos de mal estar ou outras complicações. Mas é importante saber que gravidez não é doença.(…) Nada de curtir fossa e culpa. É hora de trabalhar pelo estreitamento de contato com os pais e crescer. Apesar do atropelo do início, a vida que está sendo gerada é tecida por Deus e é cheia de dignidade e sagrada.
  • O rapaz-pai, caso não fuja e se apresente solidário, deve ser igualmente acolhido. Precisará trabalhar para se responsabilizar pelo sustento da nova família, colocando-se na direção da maturidade. Ambos devem ser ouvidos pelas pessoas mais próximas, sobre a conveniência de um casamento. Jamais constrangidos a realizá-lo, para ficar bem diante da sociedade. Casamento merece respeito e não é uma solução tampão. Um processo de aconselhamento e/ou psicoterapia, ajuda a colocar os sentimentos e as ideias mais claras. Mas a responsabilidade moral pela nova vida deve ser cobrada, bem como a jurídica e financeira.” (Revista Gente Teen, Edição no. 2).
A Igreja de Cristo é composta por pessoas que também se arrependeram e se afastaram de seus pecados, alguns deles chocantes, como os descritos pelo apóstolo Paulo, na passagem a seguir. Hoje estas mesmas pessoas, buscam andar em Santificação.
  • 1Co 6 : 9-11: “Com certeza vocês sabem que os maus não herdarão o Reino de Deus. Não se enganem, não herdarão o Reino de Deus os imorais, os que adoram ídolos, os adúlteros, os homossexuais, os ladrões, os avarentos, os bêbados, os difamadores, os marginais. Alguns de vocês eram assim. Mas foram lavados do pecado, separados para pertencerem a Deus e aceitos por ele, por meio do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus”  (BLH).
Que o Senhor nos ajude a sermos um povo que anseia ser Santo, como é Santo o Deus a Quem servimos, não só em nosso procedimento pessoal, mas também para que usemos da Sua compaixão ao acolhermos os “filhos pródigos”, que arrependidos, voltam ao lar.

 

Texto: Sergio e Magali Leoto (fonte: Revista – “Refletindo sobre as questões do momento”, Ed. Z3ideias).

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