Brasileiros, sempre tiveram dificuldades em manter seus empregos. Sendo assim, desenvolvemos a cultura de que: “Se já estamos empregados, nunca podemos rejeitar um pedido para trabalhar MAIS; pois ao recusar, podemos ser mandados embora”!
Esta é uma realidade! Mas, os efeitos de “nunca recusar trabalho”, também mostram uma triste realidade no contexto familiar: cônjuges insatisfeitos, rebeldia de filhos etc.
A conclusão dos especialistas da American Psychological Association (APA) é bastante consistente: – Não, não é saudável nem sustentável estar “sempre disponível” para trabalhar mais.
O problema não é trabalhar muito ocasionalmente, nem ter ambição profissional. A dificuldade aparece quando o trabalho passa a exigir disponibilidade constante, invade o tempo familiar e reduz sistematicamente a energia emocional disponível para o cônjuge e os filhos.
A psicologia chama isso de conflito trabalho–família (work-family conflict): as exigências de um papel dificultam o cumprimento do outro. Uma meta-análise que reuniu 427 tamanhos de efeito, encontrou uma associação consistente entre conflito trabalho–família e consequências negativas nos domínios profissional, familiar e geral da vida.
Esse conflito também afetava o estado emocional da pessoa em casa e seus comportamentos familiares, observados pelo cônjuge. Ou seja: “Estou trabalhando muito” pode ser menos problemático, do que “Estou mentalmente preso ao trabalho o tempo todo”.
Isso produz um ciclo que terapeutas de casal costumam observar: mais trabalho → mais cansaço/estresse → menos disponibilidade emocional → menos conexão com o cônjuge → mais conflitos ou distância → menos recuperação emocional em casa → mais dificuldade para enfrentar o trabalho. E o contrário também pode acontecer: apoio familiar → recuperação emocional → maior bem-estar → melhor funcionamento profissional.
A própria APA ressalta que trabalho e família, não precisam ser inimigos: um relacionamento familiar positivo, pode inclusive proteger o indivíduo dos efeitos psicológicos, de problemas no meio profissional.
O trabalho pode trazer autoestima, propósito, recursos financeiros, realização, contatos sociais e competências, que depois são úteis na vida familiar. A própria literatura psicológica reconhece efeitos positivos nos dois sentidos — família pode beneficiar o trabalho e trabalho pode beneficiar a família.
Muitos pais trabalham em ambientes supercompetitivos – procuram atingir metas, superá-las, ganhar um pouco mais. Ao conseguirem, trabalham “mais um pouco”, para alcançar novos objetivos… e nunca param! A motivação é boa – ter uma renda maior; mas o exagero, prejudica aqueles que mais amamos – nossa família!
Amizade com o cônjuge é a característica mais citada, por casais felizes e com mais de 10 anos de casamento. Mas, justamente a amizade é a maior prejudicada, quando passamos mais tempo no trabalho (e com amigos de lá), do que em casa. Não só nosso cônjuge é prejudicado, mas também nossos filhos!
Algumas justificativas muito usadas: – “trabalho mais, para pagar uma escola melhor ao meu filho”; – “precisamos comprar casa própria”; – “vamos comprar um carro”; – “queremos uma 2ª. casa para alugar”. Não há mal nenhum em querer estas coisas! O problema está em TIRAR o tempo com seu cônjuge e filhos!
São muitos os casais que compram, compram, compram, perdem sua relação familiar… e depois têm que DIVIDIR tudo o que compraram, no DIVÓRCIO! Isso é um grande erro! O “materialismo” conseguiu destruir mais um casamento!
Nossos avós, muitas vezes não tiveram casa própria, mas mantiveram suas famílias unidas, com boa formação, educação e ótimos valores! Onde será que nós estamos errando?
Segundo a psicologia familiar e a pesquisa sobre trabalho–família, o objetivo não é trabalhar o mínimo possível; é impedir que o trabalho consuma de forma crônica o tempo, a atenção e a energia emocional, necessários para manter um casamento e uma família saudáveis.
Firme seus VALORES: e “FAMÍLIA” deve ser um deles! Aprenda a dizer “NÃO”, quando for necessário! Muitos empresários que não souberam dizer “NÃO”, choram hoje a perda de seus cônjuges e filhos… Não seja VOCÊ a cair neste mesmo erro! Lembre-se do que disse o sábio rei Salomão: “Quem prejudica a sua própria família, cairá na ruína; o insensato será servo do sábio”. Provérbios 11:29 (VFL).
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Autor: Pr. Sergio Leoto, missionário da SEPAL (Servindo aos Pastores e Líderes) e do Ministério Fortalecendo a Família. – Whats (11) 99957-0451.
