“Agora eu entendi por que você age desse jeito…!” Esta frase, faz parte de muitas brigas de casal, as chamadas DRs (Discutir a Relação)! Quando o envolvimento está no começo, tudo é novidade! Mas após algum tempo, cada um passa a agir, como sua “cultura familiar” lhe ensinou (ou deixou de ensinar)! Nestas horas, as diferenças do casal podem “ajudar” (trazendo paz e fatores positivos) ou então “atrapalhar” de vez a convivência!
A vida de uma família passa por diferentes etapas, e cada uma delas traz novas demandas e exige reorganização de papéis, responsabilidades, rotina e relacionamentos. Na fase em que os filhos entram na escola, por exemplo, a família precisa se adaptar às novas necessidades, mas a compreensão dessa etapa não deve se limitar à configuração familiar atual. É importante considerar a história de cada integrante e, especialmente sua família de origem, pois ela influencia os padrões relacionais da família atual.
Cada pessoa leva para seus relacionamentos experiências, valores, crenças, modelos e padrões aprendidos anteriormente, que podem continuar presentes, mesmo em famílias monoparentais, reconstituídas ou em outros formatos.
Alguns desses padrões podem se repetir entre gerações, inclusive na maneira como os adultos se relacionam com seus parceiros e filhos. Alguns exemplos:
1) Algumas famílias quando discutem, falam “muito alto” e consideram isso “normal”; outras detestam gritos e sentem-se ofendidas, quando isso acontece.
2) Existem aqueles que disciplinam os filhos “conversando”; outros, o fazem com agressividade física e verbal.
3) Alguns têm a tradição familiar de “encher a cara” com álcool além da conta; outras famílias são traumatizadas, com o histórico de alcoolismo, nem permitem o 1º. gole.
4) Certas famílias resolvem pequenas brigas de casal, com o divórcio; outras, nem aceitam ouvir falar em separação.
5) Culturas que valorizam a “mentira branca” como natural e até “necessária”, em certos casos; outras famílias, valorizam a verdade a qualquer custo, doa a quem doer.
Temos muitos outros exemplos, como o desejo de vingança, dificuldade em perdoar pessoas, falar palavrões, gastar mais do que ganha, valorização ou desvalorização do estudo formal, como se portar em ambientes refinados etc.
Também existem carências e expectativas emocionais não atendidas na infância, que podem ser levadas para o relacionamento conjugal. Quando a pessoa espera que o parceiro preencha necessidades que tiveram origem na relação com seus pais, podem surgir frustrações, cobranças e conflitos. Por isso, precisamos compreender a família como um sistema vivo e relacional, investigando de onde vêm determinados comportamentos e que padrões podem estar sendo repetidos.
O objetivo de compreender o passado é AGIR buscando melhorar e NÃO para, simplesmente, justificar o presente. Conhecer a história familiar de uma pessoa pode explicar determinados comportamentos, mas não elimina sua responsabilidade nas possíveis mudanças.
Ao investigar como padrões, crenças e formas de relacionamento atravessam gerações, aprendemos que existem raízes, que possibilitam uma releitura da história familiar. Isso pode abrir caminho para a construção de formas diferentes e mais saudáveis de relacionamento.
Ao identificarmos em nossa história familiar alguns fatores negativos, NÃO precisamos repeti-los! Podemos e devemos realizar mudanças, fazendo o “nosso possível” nesta geração, visando tornar as futuras gerações cada dia um pouco mais saudáveis.
Existem vários fundamentos bíblicos na “transmissão de princípios”, que influenciem as futuras gerações. Temos passagens como Deuteronômio 6:5-7 e Salmo 78:3-4. Além delas, temos todo o livro de Provérbios, provando que uma geração não transmite apenas bens materiais à seguinte. Transmite também valores, sabedoria, princípios e caminhos para a vida. Aqueles que são sábios, retém o aprendizado e o repassam aos filhos.
Assim como transmitimos “bons valores” às futuras gerações, temos a “possibilidade” de repassar aquilo que NÃO É BOM – daí a importância deste texto!
Você se identificou com alguns aspectos deste texto? Acha que precisa de ajuda, pessoalmente ou como casal? Procure a ajuda de um profissional habilitado! Aproxime-se e converse com sua rede de apoio (pessoas próximas de sua confiança, igreja, líder religioso). Isso possibilitará uma positiva troca de experiencias e se necessário, a indicação de um terapeuta ou psicólogo.
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Autor: Pr. Sergio Leoto, missionário da SEPAL (Servindo aos Pastores e Líderes) e do Ministério Fortalecendo a Família. – Whats (11) 99957-0451
